Férias em Fortaleza

Hoje o nosso amigo Claudio Rabello contou um pouco pra nós como foi passar as férias do começo de ano em Fortaleza. Uma cidade que, como muitas no Brasil, apresenta lados extremos e fortes. Atenção: Não há fotos da viagem dele, você vai entender o porquê…


Fortaleza: Linda e Perigosa

Fortaleza é uma das três mais populosas regiões metropolitanas do nordeste brasileiro, que tem como ponto forte a beleza de suas praias e seu clima, que, mesmo muito quente, torna-se agradabilíssimo para um paulistano como eu, que, tô acostumado com o tempo seco de SP.

A primeira coisa quando se desce do avião é dar uma boa respirada e sentir aquele ar úmido, e sim, delicioso.

Do táxi até o hotel em que me hospedei na Avenida da Abolição, próxima a Avenida Beira-Mar (Das principais praias da capital cearense), já percebia o que vim a comprovar pouco depois, uma cidade com aspecto de grande desigualdade social.

Chegando no hotel, que ficava na avenida paralela à avenida da praia (2 minutos da praia do Meirelles), deixei as malas e fui logo para o quiosque na praia tomar uma cerveja e ver a vista.

Primeira impressão sobre a Avenida Beira-Mar: Uma avenida com uma vista linda das praias, com hotéis luxuosos, restaurantes e carros nem um pouco humildes andando pela rua. Parecia uma avenida no exterior, completamente diferente daquilo que eu tinha visto há pouco no caminho entre aeroporto e hotel.

Pedindo o cardápio ao garçom do quiosque, a primeira impressão que tive foi que morreria embriagado naquele lugar, uma vez que a garrafa de cerveja das principais marcas estava em torno de R$ 4,00 e R$ 5,00. Doce engano, umas vez que entendo ser um chamariz para o consumo nestes quiosques, aonde haviam porções de frutos do mar que chegavam a cerca de R$ 160,00. Mas ainda assim, nada que fugisse muito do que eu esperava.

Nos primeiros 10 minutos, em um boteco-praia de Fortaleza já havia notado o quão gigante era o contraste social naquela cidade. Não é exagero dizer, nem força de expressão, a cada 3 minutos sentado em uma cadeira na praia, era comum, MUITO COMUM, vir crianças e moradores de rua, seja para pedir alguma esmola, seja para vender algo. Crianças de 5 anos vendendo balas para turistas – que não era meu caso – hospedados em hotéis em frente a praia, com diárias chegando muitas vezes a ultrapassar a casa dos R$ 500,00, coisa que eu não passei por ter reservado o hotel com 4 meses de antecedência, outra coisa válida de lembrar. Cidade turística, de praia, no verão… Ou se programe bem antes, ou prepare-se para gastar muito.

Primeira noite de rolê, era quinta-feira, chamei um Uber (que lá pode ter prazo de validade para acabar, promessa de campanha do atual prefeito), e fui conhecer a praça Dragão do Mar. Eu carinhosamente apelidei de Rua Augusta Cearense. Lugar mais alternativo a se achar por ali, bares com música ao vivo, e algumas baladas com estilos mais alternativos (pop-dance-rock), mas tudo sem dúvidas em menor escala em comparação a capital paulista, mas com um charme nordestino, construções antigas e apesar de ser uma quinta-feira, um movimento até que razoável. Tive uma noite bem agradável naquele lugar, tanto que acabei voltando algumas outras vezes durante minha estadia de 11 dias em Fortaleza.

No segundo dia fui conhecer a famosíssima Praia do Futuro. Até com quem falei em SP antes de viajar, me recomendaram ir para esta praia. Quiosques animados, com musica ao vivo, praia linda. Disseram que havia até piscina em um dos quiosques na areia. Tudo verdade…

…até as 17 horas!

Depois de ter passado algumas horas sentado, comendo, bebendo… Resolvi dar uma caminhada pela areia, conhecer melhor a praia e tudo mais. Algo normal de fazer pelo litoral Paulista. Que erro. Estava com um camarada naquele momento, e conforme foi abaixando o sol (lá não tem horário de verão), resolvemos voltar para o nosso quiosque para irmos embora… o susto foi que, aqueles quiosques lotados de gente, aquelas praias cheio de banhistas, de repente esvaziou e sem que a gente percebesse, estávamos quase que perdidos em uma praia, ao lado de uma favela em pleno entardecer. Fatal! Fomos abordados por 5 caras armados com facas, com papo nada amigável. Caímos no conto do turista que não sabe aonde deve andar, e terminamos assaltados em plena segunda noite de Fortaleza.

Conversando depois com o pessoal, pelos lugares que fomos, às vezes nem precisávamos falar aonde fomos assaltados para eles já dizerem que foi na “Praia do Futuro”, ou seja, para quem é da região, era algo meio óbvio de acontecer. Uma praia animada e maravilhosa durante o dia, com toque de recolher a noite.

E pelo que fui percebendo pelos lugares de Fortaleza que passei – inclusive aonde eu estava hospedado – a noite na capital cearense é digna de alerta. Procurando lugares animados para sair de noite, era normal recebermos conselhos até de quem não nos conheciam do tipo “lá é bom mas é perigoso” ou “lá é bom, mas não recomendo você ir para lá”.

Fortaleza é considerada pelo último estudo da Forbes a 12º cidade mais violenta do mundo, sendo a primeira colocada entre as brasileiras. É linda, o povo é gente boa, mas os reflexos da desigualdade social que temos no Brasil, lá fica ilustrado ao extremo. Vi cenas que não estava acostumado, como motorista do ônibus não abrir a porta para pessoas querendo entrar (ao lado de uma das tantas favelas da cidade), por imaginar que são assaltantes, por exemplo.

A sugestão que faço sobre o lugar é, saiba exatamente aonde esta indo, pesquise bem os lugares antes e de preferência, se possível for, caso saia de noite chame táxi (lá passa a rodo) ou Uber. Não se isole na noite.

Fora os cuidados, Fortaleza tem praias lindas (vale conferir as praias nas cidades vizinhas que são muito mais bonitas que as da capital), clima agradável, com pontos legais para conhecer. Culinária voltada para frutos do mar, muito camarão e lagosta para quem gostar, muita cerveja baratinha, feirinhas no calçadão. Se você olhar tudo direitinho e não andar nos lugares errados, com certeza terá uma ótima viagem.

Apesar da dor de cabeça do assalto, ter ficado sem cartão, sem celular, deu pra curtir o Ceará!

Destino Compartilhado| por: Claudio Rabello


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