O que você quer ser quando crescer?

É injusto quando logo que você sai da escola o mundo inteiro já te cobra e te questiona sobre qual caminho você vai seguir. Tem gente que demora anos, tem gente que sempre soube e tem gente que nunca se acha.

Já faz muito tempo desde que decidi que Rádio e TV era o curso que eu queria fazer. Diferente de muitos jovens, eu desde os 12 anos já sabia o que cursar na faculdade. Muitas outras profissões passaram pela minha cabeça, mas sempre me mantive decidida.

Isso mudou um pouco justo no terceiro ano do Ensino Médio. Eu havia mudado muitas convicções, muitos pontos de vista, muita coisa havia mudado desde que eu havia feito um curso de audiovisual e educomunicação. Eu queria agora fazer história, ser professora, mexer com arte e cultura. MAS QUE DE CURSO SUPERIOR PROPORCIONA ISSO? Até hoje não sei. Na verdade o curso superior de educomunicação vai bem pra esse lado, mas na época havia pouquíssimo mercado.

Bom, entrei na faculdade, conheci o Tom, mudei de faculdade junto com o Tom e minhas convicções continuavam a mudar também. O Tom sempre foi muito decidido e isso sempre mexeu muito comigo porque desde o fim do Ensino Médio eu não sabia mais ao certo o que eu queria ser.

Na verdade a minha colocação dentro da área desde os 12 anos variou. Queria ser estagiaria da 89 (hehe), produtora de TV, produtora executiva, produtora sei lá do que… E isso é muito comum, principalmente depois que você entra na faculdade e descobre um leque infinito de possibilidades dentro da área, muito mais amplo do que você imaginou.

Mas ainda assim não sabia o que eu queria, até hoje não sei, quando alguém pergunta pra que lado quero seguir digo produção cultural (unindo o útil ao agradável) mas quando reflito sobre o peso dessa resposta penso o quão pesado é decidir o que a gente quer pra vida toda com 17 anos! Logo que sai da escola! É um absurdo normal hoje em dia.

A questão é, desde que entrei na faculdade eu ainda não me achei dentro do curso e cada semestre que passa eu me vejo cada vez mais distante, longe do óbvio do rádio/televisão. Não quero trabalhar na TV, não quero o Rádio e o que me salva é aquela palavra que muitos professores da área esquecem: Internet, eu faço Rádio, TV E Internet.

Desde o dia que o Tom me chamou pra viajar vi crescer em mim uma nova vocação, talvez ainda não muito trabalhada, mas que fez eu me encontrar de alguma forma. Desde aquela viagem de 2015 eu sabia que queria ter um blog de viagem. Eu sabia o que queria compartilhar e sabia que a vida freelancer talvez fosse o meu lugar.

Lembrei do Nomadismo Digital que conheci em 2013 e sempre me pareceu inalcançável, essa vida de pessoas que trabalham de qualquer lugar, apenas com a internet.

Eu encontrei um espacinho na minha área do coração e misturei com as minhas paixões da vida: viagem, arte, cultura, história.

Isso é louco, meus pais me entendem (entre aspas) é difícil explicar que você quer trabalhar com internet, que você tem um blog e que ele não é um hobbie. É difícil fazer dinheiro aqui e eu ainda não consegui fazer disso minha renda principal. Eu tô tentando, a gente tá tentando, mas o que fará isso dar certo não é essa mera tentativa, é o gosto, o desejo, a paixão pelo que eu tô fazendo, construindo. É eu ter encontrado o meu lugar e fazer isso dar certo com toda a minha força.

Bom, se você chegou até aqui esperando que eu tenha uma resposta pra sua indecisão profissional, sinto decepcioná-lo. Eu estou tão perdida quanto você. Mas de alguma forma, em algum canto eu consegui pegar tudo que mais gosto e misturar fazendo com que nascesse esse blog aqui.

O que digo é: É difícil, ninguém é obrigado a sair da escola sabendo exatamente o que quer pra vida e jamais deixe que alguém cobre isso de você. Espere o tempo que for, se encontre, se conheça! E fuja do óbvio, do esperado. Você vai descobrir que o mundo é muito maior do que você sabe. Você vai descobrir no seu curso mil e uma funções e se nenhuma delas te agradar não tenha medo de jogar tudo pro alto e procurar uma nova saída.

Eu demorei 4 anos pra achar uma coisa que eu realmente quero que seja minha profissão e muitas vezes, infinitas, eu me pego pensando no que eu quero pra minha vida. Eu não sei se sei, mas sei que não é uma radialista convencional, num escritório fechado, com um carro, um apartamento quitado. Na verdade, o que eu quero tá bem longe disso e bem longe daqui.

Destino Compartilhado | por: Carolina Rosa


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